REPORTAGENS











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O rock da maturidade de Dado Villa-Lobos

O ex-Legião Urbana, que se denomina um adulto jovem, faz show em Salvador e Vitória da Conquista

Correio da Bahia - 21/08/2008
Marcos Uzel

        Dois cães de estimação. Um se chama Salvador e o outro Bahia. Pode parecer inusitado, mas quem faz a homenagem é ninguém menos do que o roqueiro Dado Villa-Lobos, 43 anos. Mesmo sem vínculos mais íntimos com o território matriz da axé music, ele quis estender aos bichos de casa a sua admiração pela terra de Pitty, Marcelo Nova e Raul Seixas. "Quero muito voltar a tocar por aí", avisa com uma risada simpática o ex-guitarrista da Legião Urbana, uma das bandas mais importantes da história do rock brasileiro. O músico brasileiro nascido na Bélgica desembarca esta semana em solo baiano para dois shows.

        A parada inicial acontece em Salvador. Amanhã, pouco depois da meia-noite, Dado Villa-Lobos canta no Bahia Café Hall (Largo dos Aflitos), mostrando pela primeira vez seu trabalho solo na cidade onde a Legião também deixou suas marcas no final dos anos 80 e início dos 90, época em que o antológico grupo comandado por Renato Russo tocou em espaços como a Concha Acústica do TCA e o Clube Bahiano de Tênis.

        Já no domingo, dia 24, Dado encara o frio de Vitória da Conquista disposto a esquentar o público do 40 Festival de Inverno Bahia 2008, o segundo maior evento musical do gênero no Nordeste, na mesma noite em que Pitty e Jota Quest fazem a festa no palco principal do Parque de Exposições Teopompo de Almeida. Em Conquista, ele deve tocar para uma platéia considerável, já que a estimativa do evento promovido pela TV Sudoeste e Icontent, empresas da Rede Bahia, é de atrair cerca de 20 mil pessoas por dia durante o festival.

        Independentemente do palco, do lugar ou da quantidade de espectadores, o desafio de Dado, ex (e eterno) Legião, é conquistar as pessoas, não somente a fartura de fãs que o acompanharam como músico e compositor da banda (e não são poucos), mas também novas gerações fissuradas por rock'n'roll. "É basicamente um show de rock", conceitua o sobrinho-neto de Heitor Villa-Lobos, um gênio da música erudita. O roteiro das apresentações inclui, claro, canções consagradas pela Legião Urbana e que se alternam no repertório a depender do que o artista está disposto a relembrar.

        "Existe, sim, um revival dessas músicas, mas em um outro formato, comigo cantando e uma outra banda tocando", diferencia, citando faixas como Índios e Teatro dos vampiros, da irresistível lista de sucessos do grupo. Mas também podem entrar as várias outras lembradas por Dado, tipo Quase sem querer, Eu sei, Ainda é cedo, Perfeição e Geração Coca-Cola. "Continuo sentindo necessidade e urgência de tocar esse material fabuloso", sublinha.

        Na apresentação no Bahia Café Hall, ele deve privilegiar uma espécie de tributo à banda que o lançou nacionalmente. É uma saudação exposta ao vivo por quem fez parte dessa história e que não perdeu o senso crítico diante da fartura de homenagens póstumas a Renato Russo. Dado Villa-Lobos defende a importância de reverenciar o vocalista com critérios e torce o nariz para o oportunismo.

        Universal - O guitarrista quarentão, que fez história ao lado de Russo, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, almeja um repertório de conotação universal em sua carreira. A motivação de refletir sobre a vida é definida por ele como a essência de suas composições. "Tenho procurado colocar que não sou mais um adolescente. Sou um adulto jovem, caminhando para a meia-idade. Vivo no Rio de Janeiro, no Brasil. Não quero ser um ingênuo", posiciona-se o porta-voz do trabalho solo MTV apresenta Dado Villa-Lobos: Jardim de cactus, lançado em 2005, cujas canções formam outra parte do repertório do show.

        Músicas como a faixa-título Jardim de cactus, em que o compositor quer saber do ouvinte se alguma vez ele assumiu demagogia, covardia e sordidez, se sentiu a mira de uma arma em sua direção ou se duvidou dos direitos humanos, pensou em matar, mas teve outros planos. E fustiga no refrão: "Não sabe se quer/ Não sabe o que é bom ou ruim/ Não sabe sequer/ O que você planta no seu jardim...". O mesmo Dado ri ao ser perguntado sobre o que tem plantado no próprio jardim desde que abraçou a carreira solo: "Algumas sementes novas. E começo a colher os resultados. Tenho preparado um repertório novo, inédito. Quero continuar subindo no palco para mostrá-lo com a minha voz".

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"Não sei nem se estou mais na minha, nem na sua vida"
"Não percebi correntes me prendendo aqui até o instante em que tentei partir."
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