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Dado Villa-Lobos, primeiro solo após Legião Urbana

Agência Estado - 29/11/2006

        O tempo parece não ter passado para Dado Villa-Lobos, 40 anos, e ex integrante do Legião Urbana. O guitarrista mantém o mesmo rosto de menino tímido que arrancava suspiros das garotas, posicionado discretamente à sombra de Renato Russo, parecendo sempre não querer chamar a atenção. Após quase dez anos da morte de Renato e do fim do Legião, Dado resolveu colocar a cara para bater, inclusive como intérprete.

        Lança o primeiro projeto-solo, Jardim de Cactus - Ao Vivo, que leva a marca MTV, com direito a CD, DVD e especial para TV. Dado volta a se expor depois de um longo período acompanhando amigos em projetos e shows, compondo a trilha sonora dos filmes Bufo & Spallanzani e O Homem do Ano ou à frente de seu selo, Rockit, produzindo gente nova, como Ultraman e Devotos.

        É pelo próprio selo que ele põe seu Jardim de Cáctus no mercado, com distribuição da EMI. Por ora, o selo terá esta única utilidade: a de lançar seu trabalho-solo. Ele anda meio desiludido com a empreitada, após constatar tanto investimento e tempo desperdiçados em bancas de camelôs. É a favor de o autor ter domínio sobre sua obra, mas não acredita na desvinculação dos independentes do apoio das grandes gravadoras. "O mercado brasileiro de música é medieval", acredita. "O ministro da Cultura (Gilberto Gil), apesar de ser músico, pouco fez contra a pirataria. É um caso de polícia, mas de uma política cultural também."

        Gravado no Rio de Janeiro, para facilitar a vida dos convidados especiais que moram na cidade, Dado optou pelo Teatro Dulcina, revitalizado por iniciativa da diretora Bia Lessa, que manteve uma temporada de seu espetáculo por lá. "O lugar é lindo. É como se fosse um picadeiro, não tem palco", descreve. "Pensei em colocar as pessoas andando por entre a banda, mas a Joana (Mazzuchelli, diretora do projeto) proibiu (risos)." A confraria agrupou, na gravação em si, Os Paralamas do Sucesso, Dinho Ouro Preto, Paula Toller, Fausto Fawcett, entre outros nomes.

        Quem pensa em botar o CD ou o DVD no aparelho e matar as saudades da sonoridade do Legião Urbana vai levar um susto. O músico produziu, ao lado de Carlo Bartolini, um CD sereno, conceitual. "Não é mais só violão, guitarra, baixo e bateria. Usei muita programação de computador, que abre novos caminhos musicais, para buscar algo diferente do Legião." De herança dos tempos da antiga banda, só sobrou o processo de composição.

        "Fiz as músicas e só depois, como fazia o Renato, botei as letras." Para as letras, recrutou amigos, como Paula Toller, na faixa-título e na canção Dias; Laufer e Fausto Fawcett, na animada Faveloura & Lov.; e China, em Cores em Mim e Nos Lençóis. Do repertório da banda Aborto Elétrico, na qual Renato Russo começou sua jornada na música, resgatou o punk Conexão Amazônica, para quebrar o ritmo lento do repertório. Por ser sobrinho-neto de Heitor Villa-Lobos e ter acesso a material dele, Dado recuperou a voz do maestro de uma antiga gravação e colocou um trecho dela para abrir o projeto.

        Há também uma participação especial da voz de Chico Buarque, recitando um poema de Rimbaud, originalmente em francês, traduzido pelo poeta Ivo Barroso, na música Natureza. Ainda em Jardim de Cáctus, o guitarrista aproveitou para exorcizar um velho medo - o de cantar -, já que sempre considerou Renato o melhor cantor.


"Não sei nem se estou mais na minha, nem na sua vida"
"Não percebi correntes me prendendo aqui até o instante em que tentei partir."
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