REPORTAGENS











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"Bem, Amigos!" fala sobre violência

SporTV- 16/10/2006

        O 'Bem, Amigos!' desta segunda-feira esteve especial. O programa, apresentado por Galvão Bueno, tratou principalmente sobre o tema violência no futebol. O narrador e os convidados analisaram esse problema para o esporte brasileiro e sugeriram algumas alternativas para diminuir os atos de vandalismo recorrentes no esporte.

        A professora Heloísa Helena Baldi dos Reis, da Unicamp, participou do programa. Heloísa possui doutorado em Sociologia do Esporte e pós-doutorado na Espanha em Sociologia do Esporte e Direito Esportivo. Está lançando o livro Futebol e Violência, que traz um panorama da violência no Brasil, faz um estudo do que há no país e traz sugestões do que pode ser feito a curto, médio e longo prazo, em um comparativo com a situação na Europa depois das reformas implementadas.

        Outro convidado do programa foi Júnior, ex-jogador do Flamengo e da seleção brasileira, que começou o programa comentando as declarações do técnico Emerson Leão sobre o Flamengo. "Independentemente de ser o Flamengo, o Leão mexeu com a instituição e não se pode fazer isso". Armando Nogueira, outra participação especial do programa, também deu a sua opinião: "De soberba em soberba, o Leão está adquirindo um ar de divindade, que não perdoa nem a Deus por ter feito o mundo sem consultá-lo".

        O programa relembrou alguns momentos tristes do futebol, como a invasão dos corintianos este ano nos gramados Pacaembu após o jogo da Libertadores, o vandalismo da torcida no Grêmio que queimou banheiros públicos, a briga entre os torcedores e jogadores do Coritiba no aeroporto, bem como a comemoração do título da Libertadores de 2005 do São Paulo na Avenida Paulista, entre outros. E, durante os clipes montados, teceram seus comentários sobre os problemas do Brasil.

        A professora da Unicamp defende que as leis brasileiras deveriam estar dentro das leis esportivas. "O grande diferencial é que na Inglaterra e na Europa as coisas acontecem rapidamente, como nos casos de racismo, porque já há leis aprovadas que são postas em prática", disse. "Há uma relação entre desigualdade social e violência. Como o estádio sempre foi casa de ninguém, as pessoas que são violentas encontram no jogo de futebol o momento de se expressarem".

        Os participantes do programa deram algumas sugestões para tentar resolver a situação. "Deve-se condenar de maneira inapelável treinadores que usam a área técnica para incitar violência das torcidas", defendeu Armando Nogueira. "Nós, comunicadores, também temos que ser policiados. É preciso criar uma legislação que olhe a todos", opinou Galvão Bueno.

        "O Brasil está tentando implantar um projeto piloto aqui em São Paulo", contou a professora. "A partir do Paulista 2007 vão ser criados os cargos de gerentes de segurança, que passarão a responder pela segurança de seu clube, além da implantação de um cadastramento das torcidas organizadas. No congresso nacional, também há um projeto com mudanças de leis para as ações violentas. Isso tudo é um avanço", comenta Heloisa, que ainda deu sua opinião sobre as torcidas organizadas. "Tirá-las dos estádios não resolve o problema. É pior tê-las no anonimato do que identificadas".

        Completou a parte musical o cantor, compositor e guitarrista Dado Villa-Lobos, que relembrou canções da Legião Urbana, no momento em que a morte de Renato Russo completa 10 anos. Dado tocou "Eu Sei", "Será" e "Geração Coca-Cola", algumas músicas de seu atual CD, Jardim de Cactus, além de dar suas opiniões sobre o tema do programa. "Eu lembro que os estádios deveriam seguir as regras e normas do Estatuto do Torcedor. São Januário foi o primeiro a se negar".

        Galvão Bueno falou também sobre o Estatuto, aprovado em 2003. "O Estatuto do Torcedor tem ótimas intenções, mas ele foi muito rico em detalhes e imediatamente isso não pôde ser cumprido. Teria de ser feito por etapas". A professora complementou: "A lei não especificou, por exemplo, se seria o Procom ou outra entidade que iria defender os direitos, e nenhuma entidade foi criada até hoje".

        O apresentador finalizou o tema: "Nós vamos periodicamente continuar alertando e fazer um balanço do que tem sido feito nesse assunto".

        A minoria dos internautas, 18%, acertou a pergunta do Arnaldo respondendo que o árbitro deveria paralisar o jogo, retirar o jogador, confirmar o gol e reiniciar o jogo com tiro indireto contra a equipe que fez o gol, na seguinte situação: O árbitro permite que um substituto - não designado - entre em campo. Concretizada a substituição, esse jogador faz um gol. A partida é reiniciada e, logo após, o árbitro é avisado sobre a irregularidade pelo árbitro reserva. 35% anularia o gol, retiraria o jogador e reiniciaria o jogo com bola ao chão, enquanto 47% seguiria a partida e relataria a ocorrência na súmula.

        Fique de olho no site para saber quais serão os convidados do próximo programa. O 'Bem, Amigos!' vai ao ar todas as segundas-feiras, sempre pelo SporTV, às 20h30.

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