REPORTAGENS











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Bufo & Spallanzani - Trilha sonora original do filme

Marco Antonio Barbosa

        Crítica - A trilha sonora do filme Bufo & Spallanzani é e não é a estréia solo de Dado Villa-Lobos. Ao mesmo tempo em que Dado dedicou-se e muito ao projeto produzindo, tocando vários instrumentos e assinando todas as faixas), percebe-se um distanciamento clínico no disco, em seu conceito e execução. Essa impressão é quase inevitável, visto que as músicas do CD não nasceram (pelo menos não num primeiro momento) para exisitirem separadas do filme. E Dado preferiu cercar-se de um rodízio de convidados especiais para as faixas cantadas (não constantes do filme) o que quebra um pouco a unidade. Dito isso, também não se pode deixar de felicitar o ex-Legião por sua nova persona musical. Dado distanciou-se intencionalmente do pop guitarreiro e fluido de seu antigo grupo e preferiu o caminho mais difícil, o do experimentalismo. A demonstração deste Dado aberto aos novos sons é o que há de melhor em Bufo, e pode ser o trampolim para uma estréia solo "para valer".

        É um disco, naturalmente, mais atmosférico e "climático" do que propriamente pop/rock. Ao invés de compor canções, Dado concentra-se em temas desconstruídos, que servem aos propósitos do filme. Tanto que a maior parte das faixas é instrumental, sem maiores preocupações com melodias facilmente reconhecíveis. Dado mistura sem maiores pruridos guitarras, violões, sintetizadores, barulhinhos esquisitos e vocais para criar suas texturas. A sensação geral é de estranheza, de desobrigação com qualquer parâmetro das paradas de sucesso. Faixas como Piretrum Partenium, Bocaína ou Galeria Menescal (esta um pouco mais orgânica, com jeitão de balada-blues) revelam essa disposição. Assim como o uso generoso de bases programadas e influências de trip hop, como em A Valsa (cantada por Toni Platão). Mais electronica marca faixas como O Teclado Sintético e a esquizóide Persecution, composta por Dreher. Boate Estaca também vai nessa linha, só que mais irônica - desde o título. Há mais estranheza e claustrofobia na discursiva O Mal É Contagioso, com vocal de Fausto Fawcett, talvez a melhor faixa cantada do disco. Em meio a tantos blips e blops, destaca-se a delicada Natureza, quase-bossa com violão em primeiro plano e o belo vocal de Thalma de Freitas.


"Não sei nem se estou mais na minha, nem na sua vida"
"Não percebi correntes me prendendo aqui até o instante em que tentei partir."
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