REPORTAGENS











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Ter diabetes deixou de ser tabu

A cada dia mais pessoas famosas declaram-se com diabetes, sem o menor receio de sofrerem algum tipo de preconceito. Algumas vêm se envolvendo, inclusive, em campanhas de prevenção e pelo tratamento correto, mostrando-se como bons exemplos de que a diabetes não impede ninguém de levar uma vida normal e saudável. A cantora Ana Carolina, o jogador de futebol Washington Stecanela Cerqueira e o músico Dado Villa-Lobos são alguns destes exemplos

Sociedade Brasileira de Diabetes
Bruno Barreira

        Sou Diabético
        As comemorações do Dia Mundial do Diabetes trazem de volta o assunto. A cantora Ana Carolina (foto), por exemplo - que tem diabetes -, participou do quadro "Repórter Por um Dia", do programa Fantástico (TV Globo). Ela realizou o teste de glicemia capilar, mostrando aos espectadores a importância deste procedimento para a monitorização individual, além de fazer algumas perguntas relevantes em relação ao tratamento para o presidente da SBD, Dr. Leão Zagury. Assista ao vídeo.

        Contudo, essa opção de se declarar com diabetes nem sempre foi assim. Dizer "sou diabético" chegou a ser visto como uma espécie de tabu entre as pessoas, que descobriam a doença. Havia o receio de ser comparado a um doente, sem condições de levar uma vida normal no trabalho e com a família. Circunstância complicada que poderia prejudicar, inclusive, a condução do tratamento de forma correta, principalmente para os que necessitam de aplicações diárias de insulina (diabetes tipo 1).

        Sucesso e uma Vida Normal
        E é exatamente em relação ao diabetes tipo 1, mesmo com o volume das informações atuais, que ainda persistem algumas indagações sobre a possibilidade de levar ou não uma vida normal e conquistar qualquer objetivo de vida.

        Os exemplos, provenientes de pessoas famosas, não deixam dúvidas quanto a isso. O jogador Washington (foto), do Atlético Paranaense, possui diabetes tipo 1. Fato que não o impediu de se tornar a estrela de seu time, conquistando a artilharia do Campeonato Brasileiro de Futebol.

        "Com certeza o diabetes não é obstáculo para a conquista dos desafios da vida. Eu e muitos outros atletas pelo mundo somos exemplos disso. Seguindo o tratamento podemos impedir o surgimento de qualquer complicação e levar uma vida completamente normal". Comentou em entrevista, por telefone, à redação do site da SBD.

        Quem acredita que o atleta enfrenta muitas dificuldades, se engana. Segundo o artilheiro, não há problemas em seguir o tratamento. "Sigo o tratamento como qualquer pessoa. Tomo os medicamentos, tiro a glicemia normalmente, e levo o tratamento a sério. Acho que o fato de ser atleta me ajuda muito. Eu não vejo muita dificuldade" afirma.

        E, como bom oportunista, Washington ainda deixou um recado para os internautas que acabaram de descobrir o diabetes. "No começo eu não gostava de assumir. Tinha medo de ser vítima de preconceito e interferir na minha carreira. O meu recado é: saber controlar. É preciso se dedicar ao tratamento. Assim, todos podem levar uma vida normal e conquistar todos os desafios que surgirem pela frente" conclui.

        Outro bom exemplo é o músico Dado Villa-lobos (foto), ex-integrante do grupo Legião Urbana. Descobriu o diabetes aos 11 anos de idade, época em que morava na França, devido a carreira diplomática do pai.

        Segundo ele, o aprendizado em Paris foi muito importante, que guardou para toda vida. O empenho em controlar o diabetes sempre foi tão grande que, em 2001, ganhou a medalha da SBD por 25 anos com diabetes, sem complicações. A entrega aconteceu no II Encontro de Pacientes do Rio de Janeiro, durante o XII Congresso Brasileiro de Diabetes.

        "A rotina é sistemática: acordo todo dia às 8h30, mesmo se dormir às 6h. Às vezes complica um pouco, mas tenho que implantar essas regras. Não fujo dos horários das refeições. Aplico a insulina na hora em que acordo. Então às 12h30, almoço. Se estiver no meio da estrada e não tiver o que comer, paro e como um sanduíche; se estiver no avião também improviso e, no jantar, a mesma coisa. Essas regras são básicas para o meu dia-a-dia" ensina.

        Outro que também entra nesta lista de bons exemplos, e que também possui o diabetes tipo 1, é o atleta norte-americano Gary Hall Jr. Este ano, na Grécia, ele se consagrou bicampeão olímpico da prova dos 50m de nado livre, marcando seu nome na história dos jogos. Com o resultado, o nadador repetiu o feito de Aleksander Popov, vencedor na mesma prova, em Barcelona-92 e em Atlanta-96.

        Atualmente, o recordista contribui em pesquisas que buscam a cura da doença, além de ajudar pessoas portadoras. Ao todo, o norte-americano conquistou dez medalhas olímpicas em sua carreira. Sua participação nos jogos começou em 1996, em Atlanta, com prata nos 50m e nos 100m livre e ouro nos revezamentos 4x100m livre e medley. Em Sydney-2000, ganhou mais quatro medalhas: ouro nos 50m livre e no revezamento 4x100m medley, prata no revezamento 4x100m livre e bronze nos 100m livre.

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"Não percebi correntes me prendendo aqui até o instante em que tentei partir."
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