LEGIÃO URBANA - Letras











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ACÚSTICO MTV

Gravado no dia 28 de janeiro de 1992 durante apresentação no Acústico MTV
Data de lançamento: Outubro de 1999
Produzido por: Legião Urbana

BAADER-MEINHOF BLUES
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Apartamentos acessos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também.

Andando nas ruas
Pensei que podia ouvir
Alguém me chamando
Dizendo meu nome.

JÁ estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar ao próximo é tão démodé.

Essa justiça desafinada
É tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença?

Não estatize meus sentimentos
Prá seu governo,
O meu estado é independente.

"ÍNDIOS"
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Quem me dera, ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais, por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos uma mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como isso Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
É isso maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim,
Quando descobri que é sempre isso você
Que me entende do início ao fim
E é isso você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Esta em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho,
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim
Quando descobri que é sempre isso você
Que me entende do início ao fim
E é isso você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
- Tentei chorar e não consegui.

MAIS DO MESMO
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/Marcelo Bonfá

Hei menino branco o que é que você faz aqui
Subindo o morro pra tentar se divertir
Mas já disse que não tem
E você ainda quer mais
Por que você não me deixa em paz?

Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim
E agora você quer que eu fique igual a você
É mesmo. Como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
E quando tem chacina de adolescentes
Como é que você se sente?

Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?

Ah. bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como penso como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim
E agora você quer um retrato do país
Mas queimaram o filme
E enquanto isto na enfermaria
Todos os doentes estão cantando sucessos populares
(e todos os índios foram mortos).

PAIS E FILHOS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Estatuas e cofres. E paredes pintadas. Ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto andar. Nada é fácil de entender.

Dorme agora. é isso o vento lá fora.
Quero colo. Vou fugir de casa. Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo. Tive um pesadelo isso vou voltar depois das três.

Meu filho vai ter nome de santo.
Quero o nome mais bonito.

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Porque se você parar para pensar, na verdade não há.

Me diz porque o céu é azul.
Me explica a grande fúria do mundo.
São meus filhos que tomam conta de mim.
Eu moro com a minha mãe, mas meu pai vem me visitar.
Eu moro na rua, não tenho ninguém. Eu moro em qualquer lugar.
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais.
Eu moro com os meus pais.

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Porque se você parar para pensar, na verdade não há.
Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia.
Você me diz que seus pais não entendem.
Mas você não entende seus pais.

Você culpa seus pais por tudo.
E isso é absurdo.
São crianças como você.
O que você vai ser, quando você crescer?

HOJE A NOITE NÃO TEM LUAR
Letra original: A. Monroy Fernandez/ C. Villa de La Torre
Versão: Carlos Colla

Ela passou do meu lado
"Oi amor," eu lhe falei.
"Você está tão sozinha".

Ela então sorriu pra mim.
Foi assim que eu a conheci.
Aquele dia, junto ao mar
As ondas vinham beijar a praia
O sol brilhava de tanta emoção
Um rosto lindo como um verão e um beijo aconteceu.

Nos encontramos a noite, passeamos por ai
E num lugar escondido, outro beijo lhe pedi
Lua de prata no céu, o brilho das estrelas no chão
Tenho certeza que não sonhava
A noite linda continuava
A voz tão doce que me falava: "O mundo pertence a nós"

Hoje a noite não tem luar
Eu estou sem ela
Já não sei onde procurar
Não sei onde ela está.

Hoje a noite não tem luar
Eu estou sem ela
Já não sei onde procurar
Onde está meu amor?

SERENÍSSIMA
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece

Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades,
Tínhamos a idéia, você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia

Já passou, já passou - quem sabe outro dia.

Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
No entendo terrorismo, falávamos de amizade.

Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho
Mas não vou brigar por causa disso

Até penso duas vezes se você quiser ficar.

Minha laranjeira verde, porque está tão prateada?
Foi da lua desta noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.

O TEATRO DOS VAMPIROS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
Introdução: Canon de Pachelbel

Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E desses dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos.

Este é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos

Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas.

Vamos lá tudo bem - eu só quero me divertir
esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar.

Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei

Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir

Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas.

Vamos lá tudo bem - eu só quero me divertir
esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e artilharia
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém.

ON THE WAY HOME/ RISE
Letra: "On the way home": Neil Young/ John Lydon
Letra: "Rise": Nill Laswell

When the dream came
I held my breath with my eyes closed
I went insane
Like a smoke ring day
When the wind blows

Now I won't be back till later on
If I do came back at all
But you know me, and I miss you now.
In a strange game
I saw myself as you knew me
When the change came,
And you had a
Chance to see through me
Though the other side is just the same
You can tell my dream is real
Because I love you, can you see me now
Though we rush ahead to save our time
We are only what we feel
And you love you, can you feel it now

I could be wrong I could be right
I could be black I could be white
I could be right I could be wrong
I could be white I could be black
Your time has come your second skin
The cost so high the gain so low
Walk through the valley
The written worksalie
May the road ride with you
Anger is an energy.

HEAD ON (The Jesus and Mary Chain)
Letra: William Reid/ Jim Reid

As soon as I get my head 'round you
I come around catching sparks off you
I get an electric charge from you
That's second hand living it just won't do

And the way I feel tonight
I could die and I wouldn't mind
And there's something going on inside
Makes you wanna feel Makes you wanna try
Makes you wanna blow the starts from the sky
I can't stand up I can't cool down
I can't get my head off the ground

As soon as I get my head 'round you
I come around catching sparks off you
And all I ever got from you
Is all I ever took from you

And the world could die in pain
And I wouldn't feel not shame

Makes you wanna feel Makes you wanna try
Makes you wanna blow the starts from the sky

I'm taking myself to the dirty part of town
Where all my troubles can be found

Makes you wanna feel Makes you wanna try
Makes you wanna feel Makes you wanna try.

THE LAST TIME I SAW RICHARD
Letra: Joni Mitchel

The last time I saw Richard was Detroit in'68
And the told me all romantics meet the same fate some day
Cynical and drunk and boring someone in some dark café
You laugh, said you think you're immune, go look at your eyes
They're fool of moon
You like roses and kisses and pretty men to tell you
All those pretty lies, pretty lies
When you gonna realize they're only pretty lie
Only pretty lies, just pretty lies

He put a quarter in the Wurlitzer, and he pushed
Three buttons and the thing began to whirl
And a barmaid came by a fishnet stocking and a bow tie
And a she said, "drink up now it's getting time to close."
"Richard, haven't really changed," I said
You've got tomb in your eyes, but the songs
You punched are dreaming
Listen, they sing of love so sweet
When you gonna get yourself back and your feet?
Oh and love can be so sweet, love so sweet

Richard got married to figure skater
And he bought her a dishwasher and a coffee percolator
And he drinks at home now most nights with the TV on
And all the house lights left up bright
I'm gonna blow this dam candle out
I don't want nobody comin' over to my table
I got nothing to talk to anybody about
All good dreamers pass this away some day
Hidin'behind bottles in dark cafes
Darkcafes
Only a dark cocoon before I get my gorgeous wings
And fly away
Only a phase, these dark cafe days.

METAL CONTRA AS NUVENS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

      I
Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor e tenho
E temo o que agora se desfaz.

Viajamos Sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.

Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Reconheço o meu pesar:
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra
É a terra que é minha
E sempre ser

Minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre ter

      II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa

Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade

Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo.
Mas vou aguardar o meu tesouro
Caso você esteja mentido

Olha o sopro do dragão.

      III
É a verdade o que assombra,
O descaso o que condena,
A estupidez o que destrói.

Eu vejo tudo o que se foi
E o que não existe mais.
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra de ninguém
E sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos

Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

      IV
Tudo passa, tudo passar

E nossa estória, não estar
Pelo avesso assim
Sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá vamos viver
Temos muito ainda por fazer.
Não olhe para trás
Apenas começamos

O mundo começa agora
Apenas começamos.

HÁ TEMPOS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Parece cocaína, mas é só tristeza, talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
E o descompasso e o desperdício herdeiros são.
Agora da virtude que perdemos.

H tempos tive um sonho.
Não me lembro não me lembro.

Tua tristeza é tão exata.
E hoje o dia é tão bonito.
Já estamos acostumados a não termos mais nem isso.

Sonhos vêm, sonhos vão. O resto é imperfeito.

Disseste que se tua voz tivesse força igual
A imensa dor que sentes.
Teu grito acordaria não só a tua casa.
Mas a vizinhança inteira.

E há tempos nem os santos
Tem ao certo a medida da maldade.
E há tempos são os jovens que adoecem.
H tempos o encanto está ausente.
H ferrugem nos sorrisos.
E só o acaso estende os braços.
A quem procura abrigo e proteção.

Meu amor,
Disciplina é liberdade.
Compaixão é fortaleza.
Ter bondade é ter coragem.

E ela disse:
- Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa.

EU SEI
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro também

Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também

Eu sei.

Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone pode ser alguém
Com quem você quer falar
Por horas e horas e horas

A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você
Mas não, não vá agora, quero honras e promessas
Lembranças e estórias

Somos pássaro novo longe do ninho

Eu sei.

FAROESTE CABOCLO
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu

Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu

Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar

Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha própria escolheu a solidão

Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico aos doze era professor
Aos quinze foi mandado pro reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror

Não entendia como a vida funcionava
Descriminação por causa da sua classe e sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem foi direto a Salvador

E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem
Ia perder a viagem mas João foi lhe salvar:

Dizia ele "- Estou indo pra Brasília
Nesse país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar"

E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária viu as luzes de natal

"- Meu Deus mas que cidade linda!
No Ano Novo eu começo a trabalhar"
Cortar madeira aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil pro mês em Taguatinga

Na sexta feira foi pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô

Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar

E Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que dizia sempre que seu ministro ia ajudar

Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que como Pablo ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado a plantação foi começar

Logo, logo os maluco da cidade
Souberam da novidade
"- Tem bagulho bom ai!"
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali

Fez amigos, freqüentava a Asa Norte
Ia pra festa de Rock pra se libertar
Mas de repente
Sob um má influência dos boyzinhos da cidade
Começou a roubar

Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
"- Vocês vão ver, eu vou pegar vocês!"

Agora Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, Playboy ou general

Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu

Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
"- Maria Lúcia eu pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter"

O tempo passa
E um dia vem na porta um senhor de alta classe com dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta, uma resposta de João

"- Não boto bomba em banca de jornal
E nem em colégio de criança
Isso eu não faço não

E não protejo general de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o cu na mão

E é melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um peixe de ascendente escorpião"

Mas antes de sair, com ódio no olhar
O velho disse:
"- Você perdeu a sua vida, meu irmão!"

"- Você perdeu a sua vida, meu irmão"
"- Você perdeu a sua vida, meu irmão"
Essas palavras vão entrar no coração
"- Eu vou sofrer as conseqüências como um cão."

Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto
E ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira
Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar

Falou com Pablo que queria um parceiro
Que também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
E Santo Cristo revendia em Planaltina

Mas acontece que um tal de Jeremias
Traficante de renome apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que com João ele ia acabar.

Mas Pablo trouxe uma Winchester 22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigar

Jeremias maconheiro sem vergonha
Organizou a Roconha e fez todo mundo dançar
Desvirginava mocinhas inocentes
E dizia que era crente mas não sabia rezar

E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
"- Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já está em tempo de a gente se casar"

Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez

Santo Cristo era só ódio pro dentro
E então o Jeremias pra um duelo ele chamou
"- Amanhã, às duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote catorze é pra lá que eu vou

E você pode escolher as suas armas
Que eu acabo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia
Aquela menina falsa pra que jurei o meu amor"

E Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que a notícia do duelo na TV
Dizendo a hora o local e a razão

No sábado, então as duas horas
Todo o povo sem demora
Foi lá só pra assistir

Um homem que atirava pelas costas
E acertou o Santo Cristo
E começou a sorrir

Sentindo o sangue na garganta
João olhou as bandeirinhas
E o povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro
E pras câmeras e a gente da TV que filmava tudo ali

E se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que viveu até aqui
E decidiu entrar de vez naquela dança
"- Se a via-crúcis virou circo, estou aqui."

E nisso o sol cegou seus olhos
E então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester 22
A arma que seu primo Pablo lhe deu

"- Jeremias, eu sou homem.

Coisa que você não é
Eu não atiro pelas costas, não.
Olha pra cá filha da puta sem vergonha
D uma olhada no meu sangue
E vem sentir o teu perdão"

E Santo Cristo com a Winchester 22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor
O povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade não acreditava na história
Que ele viram da TV

E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília com o diabo ter
Ele queria era falar com o presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz

Sofrer.

Topo


"Não sei nem se estou mais na minha, nem na sua vida"
"Não percebi correntes me prendendo aqui até o instante em que tentei partir."
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